Hoje nos reunimos para comemorar uma ocasião memorável: o 36º aniversário da outorga do Prêmio Nobel da Paz, o prêmio de paz mais prestigioso do mundo, ao Onisciente Rei dos Vitoriosos, Sua Santidade o Grande 14º Dalai Lama, a joia suprema do samsara e do nirvana, incluindo o reino dos seres celestiais; o Rei do Dharma dos Três Reinos; um defensor da paz mundial; o soberano de todo o corpo de ensinamentos budistas na Terra; a deidade protetora destinada à Terra das Neves, o Tibete; a manifestação do nobre Senhor do Mundo, Avalokiteshvara, na forma de um monge em vestes cor de açafrão; e o tesouro universal do povo tibetano. Nesta ocasião auspiciosa, nós, em nome de todos os tibetanos dentro do Tibete e no exílio, estendemos nossas saudações sinceras e os melhores votos a Sua Santidade, com alegria, fé e gratidão, expressando profundo reconhecimento por sua benevolência.
Sua Santidade o Dalai Lama assumiu a responsabilidade pelos assuntos temporais e espirituais do Tibete ainda muito jovem. Como resultado da ocupação armada na nação tibetana pelo governo chinês, aproximadamente 80.000 tibetanos, incluindo Sua Santidade, foram forçados a fugir de sua pátria em 1959, buscando refúgio na Índia. O governo da Índia ofereceu hospitalidade e assistência, e Sua Santidade, com visão de longo prazo, estabeleceu um novo governo tibetano no exílio, com assentamentos para abrigar refugiados tibetanos, bem como monastérios, escolas, o Instituto Tibetano de Medicina e Astrologia, e vários centros culturais dedicados à preservação do patrimônio religioso, linguístico e cultural do povo tibetano. Sua Santidade também envidou esforços para transformar gradualmente a Administração Central Tibetana no exílio em um sistema democrático pleno. Graças aos seus esforços, hoje a situação do Tibete e do povo tibetano se tornou um assunto de grande interesse em todo o mundo.
Com base em sua prática da visão da originação dependente e na observância do princípio da não violência, Sua Santidade tornou-se um guia incomparável do caminho dos meios não violentos para os povos de todo o mundo. Além disso, Sua Santidade fundamentou sua campanha pela causa tibetana exclusivamente em métodos não violentos e buscou alcançar uma resolução para a questão do Tibete por meio de negociações. Em reconhecimento à sua orientação e aos seus esforços para resolver conflitos ao redor do mundo por meios não violentos, o Comitê Norueguês do Nobel concedeu a Sua Santidade o Prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro de 1989, em Oslo. Este prêmio, concedido desde 1901, reconhece indivíduos ou organizações por contribuições extraordinárias nos campos da paz, democracia e direitos humanos; pela promoção da fraternidade entre as nações; entre outros. A concessão do Prêmio Nobel da Paz a Sua Santidade o Dalai Lama não apenas elevou o prestígio da premiação, mas também contribuiu de forma significativa para ampliar a conscientização e o entendimento internacional sobre a justa causa do Tibete.
Em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel da Paz, Sua Santidade o Dalai Lama afirmou:
“Como monge budista, minha preocupação se estende a todos os membros da família humana e, de fato, a todos os seres sencientes que sofrem. Acredito que todo sofrimento é causado pela ignorância. As pessoas infligem dor aos outros na busca egoísta de felicidade ou satisfação. No entanto, a verdadeira felicidade surge de um senso de paz interior e contentamento, que, por sua vez, deve ser alcançado através do cultivo do altruísmo, do amor e da compaixão, e da eliminação da ignorância, do egoísmo e da ganância.”
Sua Santidade também disse: “Os problemas que enfrentamos hoje — conflitos violentos, destruição da natureza, pobreza, fome e assim por diante — são problemas criados pelos seres humanos, que podem ser resolvidos por meio do esforço humano, da compreensão e do desenvolvimento de um senso de irmandade. Precisamos cultivar uma responsabilidade universal uns pelos outros e pelo planeta que compartilhamos”.
Portanto, independentemente da posição que uma pessoa ocupe neste mundo, se todos puderem ter a prática de ser menos egoístas e mais contentes, mais amorosos e compassivos, e mais atentos ao bem-estar alheio, o mundo naturalmente se tornará uma família feliz. Assim, para quaisquer dificuldades e problemas que enfrentemos, é extremamente importante fazer esforços para resolver nossos problemas, sejam relacionados a guerras ou a quaisquer situações em que um mal é feito, promovendo a compreensão da consciência humana e agindo com responsabilidade sob a noção de fraternidade. O Parlamento Tibetano no Exílio aproveita a oportunidade proporcionada por esta ocasião para fazer um apelo à comunidade internacional — especialmente aos líderes políticos dos diversos países — para que ajam nessa linha.
Conforme anunciado, o Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido à Sra. María Corina Machado “por seu incansável trabalho na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia.” Ao receber o Prêmio Nobel da Paz hoje, o Parlamento Tibetano no Exílio estende a ela suas congratulações e melhores votos.
Também observamos que hoje é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Em 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Resolução 423(V), em sua 317ª sessão, proclamando oficialmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Dia Internacional dos Direitos Humanos vem sendo celebrado desde 1950, completando hoje 75 anos. Desde sua entrada em vigor, esta Declaração reconhece que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Todos são reconhecidos como titulares dos direitos e liberdades nela estabelecidos, sem distinção de qualquer tipo, como raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, propriedade, nascimento ou qualquer outra condição. A Declaração reconhece que liberdades e direitos como ir e vir, expressão, reunião e associação, entre outros, são fundamentais para todas as pessoas, e ninguém tem o direito de violá-los. Em consonância com essas normas da Declaração Universal dos Direitos Humanos, tem sido possível ter a oportunidade de exercer esses direitos e liberdades na maioria dos países do mundo nos termos já reconhecidos.
No entanto, quando se trata da situação no Tibete, não se pode sequer falar de direitos e liberdades políticas, religiosas, linguísticas e outras. Até mesmo as liberdades mais básicas, incluindo a liberdade de ir e vir em todas as suas dimensões, permanecem problemáticas, marcadas por contínuas e totais negações. Além disso, o governo da China impede qualquer investigação legítima sobre a situação real no Tibete e, por outro lado, divulga informações distorcidas e desprovidas de verdade. Assim, fazemos um apelo enfático à Organização das Nações Unidas para garantir a implementação adequada das disposições desta lei internacional no Tibete, tanto exercendo pressão bem como oferecendo incentivos ao governo chinês.
A Administração Central Tibetana está celebrando este ano como o “Ano da Compaixão”, em conexão com as celebrações do 90º aniversário de Sua Santidade o Dalai Lama. Como parte da programação de eventos, o Parlamento Tibetano no Exílio realizou várias atividades, entre elas uma exposição fotográfica que destacou a trajetória de Sua Santidade ao instituir a democracia para o povo tibetano, movido por grande amor e compaixão. O evento foi realizado durante três dias no Thekchen Choling Tsuglakhang, coincidindo com o Dia da Democracia Tibetana. Depois disso, a exposição foi levada sucessivamente a Shimla, por ocasião do aniversário de Mahatma Gandhi, na Escola Tibetana Sambhota; na Universidade Himachal Pradesh, em Shimla; na Universidade Jawaharlal Nehru, em Delhi; no St. Stephen’s College da Universidade de Delhi; e no Albergue Juvenil Tibetano, também em Delhi. A exposição fotográfica também ocorreu na Universidade de Punjab, em Chandigarh, e na Lovely Professional University, em Jalandhar. Em todos esses locais, foram apresentadas, por meio de imagens fotográficas, o desenvolvimento e o progresso da democracia tibetana no exílio e uma visão geral das atividades nobres e espiritualmente guiadas de Sua Santidade.
Recentemente, em 3 de dezembro, durante a sessão de inverno da Assembleia Legislativa do estado de Himachal Pradesh, em Tapovan, perto de Dharamsala, os membros do Comitê Permanente do Parlamento Tibetano no Exílio se reuniram com líderes importantes dos dois partidos políticos. Entre eles estavam Shri Kuldeep Singh Pathania, presidente da Assembleia Legislativa; Shri Sukhvinder Singh Sukhu, ministro-chefe; e Shri Jai Ram Thakur, líder da oposição. A delegação tibetana participou como observadora de uma sessão da assembleia em andamento. A delegação expressou profunda gratidão ao governo estadual e ao povo local, em reconhecimento ao fato de que Dharamsala há muito tempo abriga Sua Santidade o Dalai Lama e a sede da Administração Central Tibetana. Uma relação especial tem sido construída entre a Assembleia Legislativa do estado e o Parlamento Tibetano no Exílio.
Neste século XXI, Sua Santidade o Dalai Lama inspirou milhões de pessoas com seus ensinamentos sobre compaixão, amor, paz, consciência humana e valores éticos. Em reconhecimento às suas contribuições, Sua Santidade recebeu centenas de prêmios e honrarias de governos, parlamentos e diversas organizações ao redor do mundo. As ações nobres e secretas de seu corpo, fala e mente beneficiaram imensamente todos os seres, e em particular o povo tibetano. A dívida de gratidão que lhe devemos é verdadeiramente imensa. De todas as partes do mundo, inúmeras figuras influentes, além de milhares de outras pessoas, visitam Dharamsala continuamente para ver Sua Santidade em sua residência. A comunidade tibetana — organizações, entidades privadas e instituições afins — tem feito inúmeras oferendas, suplicando para que Sua Santidade viva longamente e continue sua obra. O fato de Sua Santidade ter respondido afirmativamente a essas preces é uma fonte de grande benefício para todos os seres e, especialmente, para o Tibete. Ele expressou a resolução de viver muito além dos cem anos. Isso será de grande benefício para todos os seres em geral e, especialmente, para o Tibete, tanto espiritual quanto nacionalmente. Assim, aproveitamos esta oportunidade para orar, com a mais profunda devoção, para que Sua Santidade permaneça como a própria manifestação da vida infinita do Vitorioso e não abandone o povo tibetano desamparado, para que suas obras nobres continuem sem interrupção. Nesta ocasião, também expressamos nossa sincera gratidão ao governo e ao povo da Índia, nossos anfitriões, bem como aos Estados Unidos, Europa e todas as pessoas e organizações que continuamente têm nos apoiado.
Em conclusão, oramos para que Sua Santidade o Dalai Lama, líder insubstituível do povo tibetano, viva por cem éons como bastião de apoio e proteção para todos os seres nos três reinos — especialmente para o povo do Tibete — e que, com isso, todos os seus desejos se cumpram sem obstáculos e de modo espontâneo, e que a justa causa do Tibete seja solucionada o mais rapidamente possível.
Parlamento Tibetano no Exílio
10 de dezembro de 2025
