TibetanReview.net | 19 jul. 2025 | Versão em espanhol aqui
Enquanto tibetanos em diversas partes do mundo livre comemoram o 90º aniversário de Sua Santidade o Dalai Lama, celebrado em 6 de julho, com uma série de eventos ao longo de todo o ano, a China intensificou suas medidas de segurança para garantir que nenhuma celebração aconteça na região do Planalto Tibetano — ao mesmo tempo em que continua a afirmar o suposto direito de nomear a futura reencarnação do líder espiritual quando chegar o momento.
Segundo o portal Tibettimes.net (em língua tibetana), datado de 18 de julho, essas medidas resultaram em diversas prisões, incluindo a de um jovem cantor na prefeitura de Ngawa (também conhecida como Ngaba, em chinês: Aba), província de Sichuan, por ter interpretado uma canção em homenagem ao Dalai Lama nesta ocasião marcante.
Relatos mencionam medidas de segurança reforçadas e prisões em várias partes do Tibet, inclusive na prefeitura de Golog (Guoluo), província de Qinghai. O jovem cantor, identificado como Asang, foi detido há cerca de duas semanas no condado de Ngawa.
Segundo a reportagem, Asang e dois amigos teriam reproduzido uma canção intitulada Zhidey Gyalsey (“Príncipe da Paz”), originalmente interpretada por outros artistas anos atrás, o que levou à sua prisão. A família do cantor estaria extremamente preocupada com a ausência total de informações sobre seu estado de saúde e paradeiro.
Asang já vinha sendo constantemente vigiado pelas autoridades por ter interpretado diversas músicas que conclamavam os tibetanos a amar sua etnia, nação, religião e cultura. Até mesmo em sua cerimônia de casamento, as autoridades impuseram rígidos controles e medidas de segurança.
Durante o Grande Festival de Orações deste ano, realizado no Mosteiro Kirti, em Ngawa, Asang se destacou ao surgir com a palavra “Tibet” escrita em tibetano sobre a cabeça, em uma aparição que comoveu os presentes e gerou grande repercussão nas redes sociais, segundo o relato.
Reconhecido como alguém que inspirava empatia, esperança e fé entre o povo tibetano, Asang sustentava-se por meio de atividades comerciais realizadas pela internet, conclui a reportagem.

