25 de agosto de 2025 | Tibet.net | Versão em espanhol aqui

Dharamshala: As autoridades chinesas intensificaram as restrições aos mosteiros no Tibete, expulsando todos os monges menores de 18 anos do Mosteiro de Tsang (tibetano: གཙང་དགོན་པ།) e submetendo os monges a controles rígidos e forte pressão. Segundo fontes confiáveis, essas medidas severas contribuíram para a morte de Shersang Gyatso, um monge sênior que teria tirado a própria vida em protesto contra o tratamento agressivo imposto pelas autoridades chinesas aos monges do mosteiro.
No dia 18 de agosto, o monge tibetano Shersang Gyatso, chefe do Comitê Administrativo do Mosteiro de Tsang, no condado de Ba, província tradicional de Amdo, tirou a própria vida no andar superior da loja do mosteiro. Ele tinha apenas 52 anos quando faleceu. Sua morte ocorreu em meio a duras restrições impostas pelo governo chinês, que criaram sérias dificuldades para os monges, especialmente para aqueles em posições de liderança. Relatos indicam que o mosteiro e as comunidades tibetanas vizinhas permanecem sob estrito controle governamental, limitando a disponibilidade de informações detalhadas e de registros fotográficos sobre o incidente.
Nos dias próximos ao 90º aniversário de Sua Santidade o Dalai Lama, as autoridades chinesas realizaram buscas rigorosas no Mosteiro de Tsang, onde a polícia inspecionou, quarto a quarto, os dormitórios dos monges. Foram confiscadas fotografias do Dalai Lama encontradas com alguns monges. Após as buscas, o mosteiro foi colocado sob fortes restrições, com a movimentação dos monges rigidamente controlada. Além disso, as autoridades expulsaram todos os monges menores de 18 anos.
As medidas restritivas se intensificaram a partir de 20 de julho, incluindo buscas contínuas nas casas dos monges e sessões diárias obrigatórias de doutrinação política. Essas ações interromperam de forma severa a prática livre das tradições religiosas, gerando tristeza e ressentimento generalizados pela intrusão do governo na vida espiritual. Notadamente, durante o aniversário do Dalai Lama, a tradição secular das comunidades nômades de convidar monges para rituais e preces — observada especialmente no quinto e sexto meses tibetanos — foi proibida, já que os monges foram impedidos de visitar essas comunidades. Isso privou tanto os monges quanto os nômades de sua liberdade religiosa e interrompeu tradições culturais profundamente enraizadas.
O Venerável Shersang Gyatso nasceu na vila de Arig, no condado de Sogzong, região de Malho (chinês: Prefeitura Autônoma Tibetana de Huangnan), na província tradicional de Amdo. Ele estudou no Colégio Gyupa, uma das cinco faculdades tradicionais do Mosteiro de Tsang, e foi reconhecido, entre os mil monges residentes, como um praticante exemplar, admirado tanto por seu conhecimento quanto por sua integridade moral. O Mosteiro de Tsang abriga monges oriundos de três grandes regiões: Malho (Huangnan), Tsolho (Hainan) e Golog (Guolou).
A repressão chinesa à liberdade religiosa dos tibetanos, especialmente em torno do 90º aniversário do Dalai Lama, ilustra violações sistemáticas de direitos básicos, incluindo vigilância em massa, detenções e proibições de práticas religiosas. As autoridades chinesas confinaram monges e monjas em mosteiros em Karze, restringiram rituais tradicionais como a oferta de incenso Sangsol e prenderam tibetanos sem informar às famílias seu paradeiro. Mosteiros como o Kirti foram alvo de batidas policiais, interrogatórios e ameaças de “crimes políticos” caso mantivessem fotos e ensinamentos de líderes reverenciados como o Kirti Rinpoche. Grupos religiosos foram dissolvidos, reuniões de mais de cinco monges proibidas e tibetanos foram até mesmo obrigados a entregar fotos de comemorações privadas de aniversário. O reforço da segurança armada em Lhasa e outras regiões evidenciou a campanha mais ampla do governo chinês para cortar os laços dos tibetanos com o Dalai Lama e reprimir expressões de fé — em clara violação às normas internacionais de direitos humanos e até da própria constituição chinesa.
