21 de agosto de 2025 | Tibet.net | Versão em espanhol aqui

Dharamshala: Gonpo Kyi, irmã do empresário tibetano e prisioneiro político Dorjee Tashi, encontra-se em estado crítico após saltar do segundo andar de um hotel, em meio a repetidos episódios de agressões e maus-tratos cometidos pela polícia chinesa em Lhasa, Tibete.
Segundo fontes confiáveis, Gonpo Kyi viajou a Lhasa em 18 de agosto de 2025 para reivindicar seu direito legal de visitar tanto o irmão quanto o advogado dele. Contudo, seus apelos pacíficos foram recebidos com resistência violenta e ilegal por parte da polícia chinesa. Policiais à paisana a arrastaram pelas ruas, espancando-a e deixando-a gravemente ferida.
A polícia a confinou à força no Hotel Yak, contra sua vontade. Ao tentar deixar o local, foi novamente agarrada, arrastada de volta e jogada ao chão. Funcionários à paisana foram posicionados dentro e fora do hotel para monitorar todos os seus movimentos, proibindo-a de sair.
Na manhã de 20 de agosto, após novo episódio de violência policial e restrição de sua liberdade, Gonpo Kyi, em um ato desesperado de protesto, lançou-se do segundo andar do edifício. Sofreu ferimentos graves na cintura e nos membros, ficando em estado crítico. A polícia chinesa negou acesso imediato a atendimento médico e hospitalar após o incidente.
Entre os dias 18 e 20 de agosto, Gonpo Kyi gravou cinco vídeos no hotel onde estava detida à força, denunciando as violações cometidas pelas autoridades chinesas. Em um deles afirmou:
“Vim ver meu irmão, o que é meu direito legal segundo a lei chinesa. Em vez disso, me trancaram como uma prisioneira, negando-me a chance de entregar cartas ou de encontrar meu irmão e seu advogado. Estou com ferimentos graves na perna e na cintura, e é inegável que Dorjee foi injustamente preso, tratado como se fosse um criminoso, forçado a usar um capuz preto.”
Em outro momento, uma mulher a confronta exigindo que parasse de gravar. Gonpo Kyi responde com firmeza que, mesmo não filmando naquele instante, tinha todo o direito de fazê-lo se assim desejasse. Essas declarações expõem a repressão sistemática da China e a negação implacável de direitos básicos aos tibetanos, mesmo quando garantidos pela própria legislação chinesa.
Uma longa luta por justiça
Dorjee Tashi, outrora um empresário de sucesso, foi preso durante os protestos de 2008 no Tibete e submetido a meses de tortura. Em 2010, após um julgamento fechado no Tribunal Popular Intermediário de Lhasa, recebeu prisão perpétua sob acusações forjadas de fraude de empréstimos — um processo claramente com motivações políticas. Seu irmão, Dorjee Tseten, foi condenado a seis anos, mas já cumpriu a pena e foi libertado.
Desde então, a família de Tashi buscou diversas revisões legais, mas os pedidos foram rejeitados. Entre 2023 e 2024, Gonpo Kyi, seu marido Choekyong e Dorjee Tseten realizaram mais de sete greves de fome e protestos pacíficos em frente a repartições e tribunais em Lhasa. Todas as ações foram reprimidas com violência e detenções arbitrárias.
O caso recente ocorre em meio às comemorações do 60º aniversário da criação da chamada “Região Autônoma do Tibete”, sob domínio chinês, quando as autoridades reforçaram as medidas de segurança em Lhasa. Enquanto isso, Dorjee Tseten foi forçosamente transferido do Tibete central para o sul e impedido de retornar.
A prisão de Dorjee Tashi, baseada em acusações fabricadas, expõe a insegurança do regime chinês e sua discriminação sistemática contra tibetanos proeminentes. Ele foi duramente punido por expressar apoio à causa tibetana frente à repressão chinesa — atos que violam tanto a lei chinesa quanto os padrões internacionais de direitos humanos.
A China deve pôr fim a essas práticas e respeitar os direitos e a dignidade do povo tibetano, conforme promete perante a comunidade internacional.


